quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Você acorda e percebe que morreu.

Você acorda e sente vontade de fugir. Logo foge. Logo volta. Volta, porque sabe que não pode viver o tal ''conto de fadas'' que tanto falavam pra você. E também deve voltar pelo fato de ter esquecido as velhas coisas que ficaram no porão...
Você acorda e sente a mesma vontade de fugir. Logo não foge. Logo se arrepende por isso. Se arrepende porque queria ter feito o que te faz bem: fugir. É isso que acontece todos os dias, você vive fugindo de todos e de tudo. Muitas pessoas entende que é pessoal. É coisa que só você entende. O problema é que a maioria das pessoas entende que isso é orgulho e medo. O que na verdade não é e (quase) nunca foi. É pessoal, só isso.
Você novamente acorda e decidi fugir. Logo, novamente você foge. Logo, não volta. Não volta porque hoje finalmente é o dia de viver o tal ''conto de fadas'', mas sem príncipe e sem final (não muito) feliz. Decidi viver longe de todos e tudo que era supérfluo... Você já sabe que a parte boa da vida, é achar que se pode achar graça em tudo o que quiser, e isso você já sabe muito bem. Também sabe que pensar positivo pode até realizar os sonhos mais impossíveis. E o que mais gosta é a espécie de devaneio que vive. E como vive!
E um dia você acorda e percebe que morreu. Morreu em vida, que é a pior morte de todas, porém não se queixa disso, sabe que já viveu o que queria ter vivido. Se arrepende apenas das vezes que quis fugir e não fugiu. Daqui a uns dias, você sabe que vai morrer. Não se importa. Chegou a hora. O único problema é que ninguém vem te visitar, não telefona e não manda flores. Você vive longe de tudo e de todos, e infelizmente não pode esperar por nada. Porque um dia fugiu. E não voltou.