domingo, 16 de janeiro de 2011

Insônia.

Já deve ser três horas da manhã. Essa insônia, adora me pegar de surpresa, incrível… Olhei para estrelas, olhei pra lua, olhei pra rua, olhei pro nada. Pensei nas estrelas, pensei na lua, pensei na rua, pensei em nada.
Logo deitei e surtei: quanto pensamento veio de repente. Pensava em tudo: coração, sorvete, solidão, arco íris, árvores, golfinhos, e um monte de outra coisas. Muitas sem sentido. Outras, nem tanto.
― Você bem que podia parar de pensar um pouco e vir ate aqui conversar comigo, não acha?
― Como? - olhei pro lado e pro outro e não vi ninguém, logo veio novamente a voz da janela.
― Venha ate aqui.
― Quem é você? E porque esta ai, do lado de fora da minha janela?
― Estou aqui porque você ainda não me convidou pra entrar… - ela olhou pra mim com uns olhos obscuros, mas em seguida mudou-os.
Fiquei ainda mais pensativa depois disso, sem entender absolutamente nada.
― Me ajuda a pular… - sai da cama e fui ajudá-la.
Ela deitou sobre minha cama e ficou me olhando. Eu, ainda pensativa e parada perto da janela, logo sentei na cama, e…
― Ah, me desculpa. - ergueu a mão ― Sou Sara, muito prazer. - ergui a mão e cumprimentei-a.
― Bom, meu nome é Andréia.
― Que nome bonito. - ela me olhou e olhou pro outro lado da cama ― Deita perto de mim… - achei estranho o convite de deitar na minha própria cama. Não deitei.
― Desculpa, mas quem é você? Qual sua idade? De onde veio? Porque esta aqui? E o que quer de mim?
― Já disse, sou Sara. Tenho dezessete anos, vim de São Paulo e agora sou sua vizinha. Bom, o que quero de você ainda não sei. - ela sorriu e novamente pediu: ― Deita aqui, perto de mim. E me fale sobre você agora.
Deitei e não disse nada, fiquei olhando pro teto.
― Então…
― O que?
― Me diga.
― Dizer o que?
― Nossa, você é muito pensativa assim mesmo ou então é lerda. - ela riu.
― Quer saber o que sobre mim?
― Idade, curiosidades, interesses, gostos, preferências…
― Mas pra quê?
― Sou sua vizinha agora, você me deve explicações a seu respeito.
― Você é que me deve explicações, não acha Sara?
― Depois você pergunta o que quiser, Andréia. - me olhou e fez cara de quem estava esperando.
― Ok. Então, tenho dezessete anos também. Tenho curiosidade de voar, mesmo que seja de pará-quedas. Gostos? Bom, musicalmente falando? - sorri, pela primeira vez.
― É, também.
― Gosto muito de Indie, Folk e Hardcore…
― E as preferências…
― Prefiro rosas amarelas do que vermelhas. - ela riu e me olhou, logo perguntou:
― Acredita em amor a primeira vista?
― Não. - fui bem direta na resposta.
― Quer saber mais de mim agora? Pergunte.
― Então, porque veio justamente pra cá, a essa hora?
― Estava dando uma volta e passei aqui por perto, vi sua janela aberta e decidi olhar.
― Isso é invasão de privacidade, garota! - sorri.
― Sei que é. - ela sorriu junto.
― E porque a curiosidade de vim falar comigo?
― Senti alguma coisa de diferente quando olhei pra você.
― Como assim?
― Ué, nunca sentiu nada de diferente quando olhou pra outra pessoa que não conhecesse?
― Já, mas…
― Pois então, foi basicamente isso.
― Ah, mas…
― Chega. Vamos mudar de assunto.
― Tudo bem então.
Ficamos em silêncio por três minutos, então ela se levantou e disse que iria embora.
― Não! Fica mais um pouco.
― Porque eu deveria?
― Não sei, senti o mesmo que você quando entrou pela janela e agora essa mesma coisa esta pedindo pra você não ir embora, não agora…
― Sentiu a mesma coisa?
― É, mas não quero falar disso agora. Tudo bem pra você?
― Esta bem. - ela sorriu e deitou novamente e pediu: ― Me abraça?
― Como? - ela não respondeu e me abraçou, porque sacou que entendi muito bem a pergunta.
Ficamos abraçadas por um tempo e ela começou a dizer um monte de coisas sobre estrelas, mar, família, Deus e ate sobre peixes.
― Você é interessante. - disse, olhando fixamente nos olhos dela.
― Você não esta apaixonada por mim não, esta?
― Mesmo que eu estivesse não falaria.
― E porque não me dar essa dádiva?
― Porque, por um acaso é recíproco?
― Só disse por dizer.
―Ala, você também esta. - dei um sorriso tímido e abracei ela mais forte, por um motivo de coração que não entendo muito bem.
Novamente ficamos em silêncio, mas dessa vez por cinco minutos. Quando depois, ela quebrou o silêncio.
― Você disse que não acredita em amor a primeira vista, não é?
― Não acreditava ate me dar conta de que você foi o meu primeiro ”amor a primeira vista”…
― Ahhhhhhhh, que fofo da sua parte.
― Não é fofo, é somente uma verdade.
― Pois é, foi isso que acabou de acontecer hoje.
― Nossa, hoje é terça feira ainda e tenho somente dezessete anos pra viver isso, essa coisa de amor a primeira vista. - me larguei do abraço dela e fiquei pensando em sonho.
― Não escolhemos quando vamos passar por momentos como esse, não acha?
― Oi? - não escutei o que ela havia dito.
― Andréia, preciso ir.
― Não, não vai…
― Preciso ir mesmo, adorei ter conhecido você e não posso ficar mais. - ela me beijou no canto da boca e foi-se. Pulou a janela e partiu me deixando sem palavras.
No outro dia, sabendo se era ou não um sonho, acordei feliz. Minha mãe me chamou e disse:
― Andréia, vem ate aqui, temos visitas. - desci as escadas, numa tremenda curiosidade. Coisa que nunca fui de ter.
Tomei um baita susto, era Sara ao lado de uma mulher, que parecia ser sua mãe. E numa espécie de déjà vu tudo veio à tona.
― Essa é Sara, Andréia e sua mãe Marta. - Sara me olhou e sorriu.
― Prazer Andréia. - estendeu a mão e respondi com um toque.
― Pra-prazer Sara. - tive uma espécie de gagueira momentânea.
― O que foi Andréia? Parece que viu um fantasma. - Sara sorriu de novo, sorriu ainda mais agora.
Será que eu sonhei ou o que aconteceu realmente foi verdade?
― Já nos conhecemos?
― Acho que não. - e novamente sorriu. E porque tantos sorrisos nascendo no rosto dela? Não podia ser sonho…
Logo Sara foi embora, logo me perguntei de novo: Será que eu sonhei ou o que aconteceu realmente foi verdade?