sábado, 8 de maio de 2010

Conhecerá o inferno.

Rua escura, suja e parada. Lá na frente vinha ela. Trazia o coração debaixo do braço esquerdo. O coração mais frio que teve. Já teve coração quente, morno, amargo, inocente, amigo, etc. E agora o que menos queria era um coração frio. Mas não tinha escolha, ela tinha de trazer este coração consigo. Ela era uma morta-vida, sorria para o mundo uma alegria imunda, comprada em uma loja da esquina. Um dia vendeu teu coração a um homem desconhecido. Invés do frio, vendeu o coração de plástico que trazia no bolso. O homem jamais foi feliz com aquele coração. Comprou felicidade falsa e se deu mal. Ela continuou andando naquela rua escura, suja e parada. E o tempo passou e o que ela viu crescer não foi amor: foi solidão. Sozinha encontrava-se. Sozinha, ainda não sabia que ia morrer sozinha. Ia ter diversos amores e nenhum ia lhe proporcionar eternidade. Ia conhecer a sua outra parte e seria incapaz de amá-la. Ela não sabe, mas morrerá e irá conhecer o inferno. Só por ter sido uma má garota.