O café esfriou... ela prometeu vir. Uma pena não ter vindo. Eu tinha as promessas de amor mais verdadeiras pra oferecer. Eu tinha planos, ate mesmo sonhos a compartilhar... eu ia dizer tudo hoje. Justo hoje, que tomei a tão esperada coragem...
O telefone tocou.
- Oi?
- Desculpa, não pude aparecer no café...
- Tudo bem. Aconteceu alguma coisa?
- Tive uns problemas aqui em casa... amanhã dá pra você me buscar no colégio? Daí explico com calma o que houve.
- Não, não vai dar.
- Ah, que pena. Quando vamos nos ver?
- Não sei... preciso desligar.
- Ok, me liga quando quiser me ver.
- Tá.
- Beijos.
Não quis vê-la. Então, nunca mais a procurei... mas ela me procurou.
- Surpresa! (risos)
- O que você esta fazendo aqui?
- Vim dizer que te amo. Quer tomar café?
- Ah, pode ser.
(pausa pro café)
- Perdão por não ter ido... minha ávo faleceu naquele dia, então não pude ir ao encontro.
- Nossa, sério? É claro que esta perdoada... sinto muito pela sua ávo e por você.
- Ah não, tudo bem... já passou.
(silêncio)
- Você disse que tinha algo muito importante pra falar aquele dia... o que era?
- Nada, era besteira...
- Ah não, me conta... quero saber!
- Sério, deixa pra lá. Outro dia, com mais calma eu falo tudo.
- Ah, chata. Então tá...
A coragem sumiu. A vergonha tomou conta de mim. Os olhos dela me fizeram desistir de falar tudo que eu mais queria. Será que se ela tivesse ido ao encontro naquele dia aconteceria o mesmo?
Eu simplesmente queria poder sentir o amor tão bem como escrevo dele por aqui, por aí...
- Andréia Rodrigues Liquer
- Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
- As vezes escrevo por medo de dizer e por conta disso, agradeço a existência do(s) blog(s). Escrevo e sempre que posso compartilho aqui. Meus textos não são tão significantes assim ou as vezes ate costumam ser para alguns indivíduos, que aqui visitam. Só escrevo quando realmente acho desnecessário. O que costumo achar necessário, tento colocar em prática (o que quase nunca funciona)... Os textos (ou poesias, como preferir) são (in)dispensáveis pra muitos. Poderia viver sem escrever aqui, mas isso já se tornou uma espécie de rotina (porém uma rotina bem mensal ou as vezes não). Quanta confusão, não? Pois é, aposto que deve estar pensando que é coisa do meu coração. Na verdade é e não é. É mais coisa de blog. Coisa que (na maior parte do tempo) não costuma existir pra mim. Entendeu? É, não precisa mesmo.