sábado, 19 de setembro de 2009

Vícios.

Depois do banho, vesti minha roupa com cuidado e paciência. Sentei na minha cama com um espelho e um cigarro na mão; e observei a mesa do quarto, livros de romance, uma caixa de remédio pra garganta, canetas coloridas e um papel azul, um molho de chaves que meu pai esqueceu e um isqueiro branco. Analiso estes objetos, não lembro da existência de alguns, mas outros fazem tanto sentido para mim como ar que eu respiro com freqüência desnecessária. Sou viciada em remédio pra garganta. Viciada em livros de romance. Viciada em relembrar coisas que deviam estar esquecidas a tempos. Continuo sentada em minha cama. Olho as fotos que tiramos na estante, mas não têm fotos, nem estante e muito menos nós. Não ligo. Agora olhando pra dentro de mim, é um pouco difícil gostar do que eu vejo. Eu sei muito bem que este cigarro não vai me entorpecer o bastante. E é com desespero que eu desejo boa noite para os meus próprios olhos refletindo no espelho que esta na minha mão. Belas noites são difíceis de achar, até mesmo na memória. Eu desabo, estranhamente feliz com a proximidade de mais um novo dia e uma nova rotina.