quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Confusão.

Tudo me forçava a acordar, e era tudo o que eu não queria, dormir é a única droga entorpecente não-ilegal que eu conheço. O dia tinha tudo para ser uma merda, mas que dia não é tão morbidamente promissor? Não tenho sucesso em reprimir memórias, o que é triste quando se vai passar pelo menos dez horas do dia em casa. Eu precisava de um café, mas estava com preguiça de acordar cedinho e fazer. Esperei que meu pai fizesse, mas não quis esperar. Compre feito, uma das melhores frases do mundo pós-moderno e consumista; costumo não comprar café, mas se bate uma vontade louca de tomar... Por que não comprar? Abandono a minha cama e saio depois de vestir a camisa branca amassada de costume. Minha mente devia estar uma confusão agora, mas não está. E talvez eu não ligue muito para as confusões em minha mente. Por quase um minuto pensei que o círculo laranja, meio amarelo, meio rosa incandescente que despontava entre as nuvens fosse minha imaginação, mas era só o sol nascendo e tentando aquecer meu corpo. O sangue que se movia entre as minhas veias já tinha desistido. E eu já pensava ter virado uma estátua, quando coloquei meus pés pra fora de casa. Fui pegar o ônibus cheio, ordinário e repugnante, para estudar como sempre. Uma das únicas coisas úteis que minha mãe imagina que eu faço. Mas não faço. Me veio a mente agora que é desnecessário dizer que eu me apego rápido às pessoas, é desnecessário dizer que tudo o que elas dizem no final é ‘pode contar sempre que precisar’. E eu preciso, o que é desnecessário dizer. Sim, minha mente deve estar em confusão.