Eu já estava no terceiro cigarro e ela não havia chegado… A única coisa que eu gostaria de ver naquela bendita tarde era o pôr do sol e não desejava mais a presença dela. Não por hoje. Mas ela precisava trazer os velhos sentimentos e as velhas sensações deixadas na casa dela: 7 kg de saudade, 3 kg de dor, 11 kg de amor, 2 kg de ódio e me trazer também algumas coisas sem importância.
Quando acendi o quarto cigarro, do outro lado da rua ela me procurava. Saudade, dor, amor, ódio. Tudo veio a tona, porém com uma maior intensidade, com mais peso. O que pra mim era pior. Estava eu tentando esquecer os olhos negros, as bochechas rosadas de natureza, o cheiro bom de flor que vinha dela, o andar dela completamente distraído, e outras coisas mais. E agora me vem ela com tudo isso, justo agora. Nem sei se a culpa é dela, nem sei se é minha, vai ver é de nós duas…
- Demorei? - perguntou.
- Como sempre. Não mudou né? - olhei dentro dos lindos olhos negros dela.
- Mudei sim, viu?
- É? Então diz ai porque ate agora não vi nenhuma diferença? - sorri. Sorriso amarelo.
- Minhas mudanças não precisam ser vistas por você. - percebi uma certa euforia na fala dela.
- Concordo. Você não me deve satisfações sobre sua vida.
- E você, mudou? - perguntou-me.
- Não… continuo com os meus cigarros, com os mesmos conceitos, com a frieza e ao mesmo tempo a delicadeza de ser quem sou, e ainda não deixei de te amar… O que é um problema que eu preciso resolver.
Ela não disse nada, apenas me olhou e sorriu. Houve um breve silêncio. Logo depois, as duas ao mesmo tempo quebraram o silêncio:
- E você, ainda me ama? - perguntei.
- É sério que ainda me ama? - perguntou.
Sorri e respondi:
- É sim… é muito sério.
Sorriu e respondeu:
- Infelizmente ainda te amo também.
- Porque infelizmente?
- Não quero mais isso pra mim, pra nós, entende?
- Entendo, pois eu não quero mais isso pra mim também, nem pra nós. - quando disse isso, ela me abraçou e me apertou forte.
- O que foi?
- Desculpa. Eu precisava disso.
- Por que?
- Estou com outra pessoa, não sinto nada por ela como sinto por você, mesmo quando a abraço.
- E porque está com ela?
- Tentativa de te esquecer.
- Sei como é…
Ficamos em silêncio novamente. Logo, ela quebrara o silêncio:
- No fundo eu ainda preciso disso pra mim, pra nós. - disse ela, quase chorando.
- No fundo eu também preciso. Apontei para o céu e pedi que olhasse, então a roubei um beijo. Quando paramos, ela me abraçou mais forte ainda e eu disse:
- Desculpa. Eu precisava disso.
Trouxe saudade, dor, amor, ódio e agora a única coisa que permanecia ainda ali, era a certeza do meu amor por ela. De como eu a amava e do quanto eu a desejava para o resto de minha vida…
Eu simplesmente queria poder sentir o amor tão bem como escrevo dele por aqui, por aí...
- Andréia Rodrigues Liquer
- Juiz de Fora, Minas Gerais, Brazil
- As vezes escrevo por medo de dizer e por conta disso, agradeço a existência do(s) blog(s). Escrevo e sempre que posso compartilho aqui. Meus textos não são tão significantes assim ou as vezes ate costumam ser para alguns indivíduos, que aqui visitam. Só escrevo quando realmente acho desnecessário. O que costumo achar necessário, tento colocar em prática (o que quase nunca funciona)... Os textos (ou poesias, como preferir) são (in)dispensáveis pra muitos. Poderia viver sem escrever aqui, mas isso já se tornou uma espécie de rotina (porém uma rotina bem mensal ou as vezes não). Quanta confusão, não? Pois é, aposto que deve estar pensando que é coisa do meu coração. Na verdade é e não é. É mais coisa de blog. Coisa que (na maior parte do tempo) não costuma existir pra mim. Entendeu? É, não precisa mesmo.